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domingo, 22 de abril de 2012

Estudo em coelhos consegue tratar paralisia cerebral

Animais foram tratados assim que nasceram e recuperaram movimentos. Hoje, distúrbio é considerado 'incurável' em humanos.

Um novo tratamento fez com que coelhos nascidos com paralisia cerebral recuperassem uma mobilidade quase normal. A experiência representa um avanço no combate ao distúrbio, que hoje é incurável, e traz esperança aos pacientes humanos. 

O método, parte do campo crescente da nanomedicina, libera um medicamento anti-inflamatório diretamente nas partes comprometidas do cérebro, através de minúsculas moléculas em cascata conhecidas como dendrímeros. 

Filhotes de coelho tratados até seis horas depois do nascimento tiveram uma "melhora dramática na função motora" no quinto dia de vida, disse a autora principal do estudo, Sujatha Kannan, do Instituto Nacional de Saúde Infantil e do Departamento de Pesquisa de Perinatologia e Desenvolvimento Humano dos Estados Unidos.

O estudo foi publicado no jornal científico americano "Science Translational Medicine" desta semana. Os coelhos que nasceram imóveis por causa da paralisia se movimentavam em "níveis quase normais no quinto dia", destacou um artigo que acompanhou o estudo e foi publicado no mesmo periódico pelo pedriatra Sidhartha Tan, de Chicago. 

A droga usada foi uma comumente empregada para tratar pessoas com intoxicação por acetaminofeno (paracetamol), conhecida como N-acetil-L-cistina ou NAC, e foi dada em uma dose 10 vezes menor.

A dose menor foi bem sucedida porque o método de aplicação, que usou a nanotecnologia, facilitou a chegada do medicamento ao cérebro, desativando prontamente a inflamação. 

Intervenção precoce 
Kannan explicou que sua equipe usou coelhos como cobaias porque, assim como os humanos, seus cérebros se desenvolvem parte antes e parte depois do nascimento, enquanto a maioria dos outros animais nascem com suas habilidades motoras já formadas. 

"Uma vantagem disso é que podemos testar tratamentos e olhar para a melhora na função motora usando este tipo de modelo animal", explicou a médica. 

Enquanto especialistas afirmam que levará anos até que se conheça totalmente esta abordagem, a pesquisa demonstra uma prova importante que a intervenção precoce consegue reverter o dano cerebral. 

"A importância deste trabalho é que ele indica que há uma janela no tempo, imediatamente após o nascimento, quando a neuroinflamação pode ser identificada e quando o tratamento com um nanodispositivo pode reverter os efeitos da paralisia cerebral", afirmou o co-autor do estudo, Roberto Romero, obstetra do Instituto Nacional de Saúde Infantil e Desenvolvimento Humano. 

'Incurável' 
A paralisia cerebral afeta cerca de 750 mil crianças e adultos nos Estados Unidos e sua taxa de prevalência é de cerca de 3,3 por mil nascimentos, segundo Romero.

O distúrbio pode causar dificuldades severas em controlar os músculos, incapacidade de caminhar, se movimentar ou engolir. Alguns pacientes também podem sofrer atrasos cognitivios e anormalidades no desenvolvimento. 

Uma das principais causas da paralisia cerebral é o nascimento prematuro, mas a doença não costuma ser diagnosticada antes dos 2 anos. 

"No momento em que fazemos o diagnóstico, há muito pouco que podemos fazer", disse Romero, descrevendo a paralisia cerebral como "uma doença incurável por toda a vida". 

* O artigo original só pode ser lido por assinantes.
Clique AQUI para ler o abstrato no 'Science Translational Medicine'

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Ministério da Saúde expandirá produção de células-tronco

Serão investidos R$ 15 milhões na qualificação de oito centros de tecnologia celular e publicação de editais de pesquisa na área 

O Ministério da Saúde vai investir R$ 15 milhões em terapia celular em 2012.A maior parte do recurso – R$ 8 milhões – será voltada para concluir a estruturação de oito Centros de Terapia Celular, que ficarão responsáveis pela produção nacional de pesquisas com células-tronco. Atualmente, grande parte dos insumos utilizados nas pesquisas com células-tronco realizadas no Brasil são importados. Os outros R$ 7 milhões serão aplicados em editais de pesquisa abertos ainda este ano. O anúncio foi feito pelo ministro Alexandre Padilha, durante a abertura do Encontro com a Comunidade Científica 2012, realizada na noite de segunda-feira e que segue até quarta-feira (18), no Edifício Brasil 21, em Brasília.“O objetivo é incentivar a independência tecnológica do País e proporcionar autonomia produtiva e know how numa das áreas mais inovadoras da saúde”, explicou o ministro.

Com esta ação, o governo quer ampliar o uso da medicina regenerativa na recuperação de pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), em tratamentos como regeneração do coração, movimento das articulações, tratamento da esclerose múltipla.

“O know how de produção de suas próprias células-tronco, embrionárias e adultas, vai baratear as pesquisas na área e possibilitar a produção em escala para uso comercial”, explicou o secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos Carlos Gadelha. “A intenção é tornar esses centros aptos a subsidiar hospitais públicos e privados na recuperação de órgãos de pacientes”, afirma o secretário. 

A terapia celular ainda não é reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina brasileiro, o uso em pacientes só é permitido no âmbito das pesquisas clínicas. A exceção é o uso das células-tronco derivadas da medula óssea humana, que já vêm sendo empregadas com sucesso no tratamento de pacientes com hematológicas, como leucemias e anemias. 

Centros -Os oito Centros de Tecnologia Celular estão localizados em sete municípios do país: três na Universidade de São Paulo na capital paulista (USP-SP), um na USP-Ribeirão, um na Universidade do Rio Grande do Sul, um na Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-Paraná), em Curitiba, um no Instituto Nacional de Cardiologia do Rio de Janeiro e um no Hospital San Rafael, em Salvador (BA). 

Três deles já estão em atividade – o de Curitiba, o de Salvador e o de Ribeirão Preto –, com recursos do Ministério da Saúde. Os outros cinco estão em fase de construção. O mais avançado é o da PUC-Paraná, que tem pesquisas concluídas, já produz células-tronco adultas e aguarda autorização da Anvisa para ampliarem a produção para escala comercial. Já deu suporte a cinco pesquisas clínicas envolvendo 80 pacientes cardíacos. Alguns dos pacientes voluntários nas pesquisas do centro da PUC-Paraná tinham anginas intratáveis que lhes impossibilitavam de fazer qualquer esforço físico, mas, com o tratamento, tiveram seus corações recuperados e hoje têm vida normal, com prática constante de atividade física. O centro já começou a produzir célula-tronco para uso em cartilagem, os chamados condrócitos, e aguarda liberação do Conselho Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) para realizar pesquisas envolvendo a regeneração de articulações de joelho e do quadril. 

A USP Ribeirão Preto está desenvolvendo pesquisas na área de diabetes. No Hospital San Rafael, em Salvador, os estudos são em traumatismo de medula óssea e fígado. 

Os centros começaram a ser criados em 2008, quando o Ministério da Saúde criou, em parceria com Finep, BNDES e CNPq, a Rede Nacional de Terapia Celular, constituída por 52 grupos de pesquisadores envolvidos em estudos principalmente de tratamento de doenças autoimunes, como diabetes, esclerose múltipla e traumatismo de medula. Esta foi uma iniciativa inédita em termos de pesquisa científica e desenvolvimento tecnológico na área da medicina regenerativa em todo o mundo. 

Evento - O Encontro com a Comunidade Científica 2012 reúne cerca de 600 pesquisadores de todo o país. O investimento tem terapia celular faz parte de um pacote de investimentos de R$ 165 milhões em pesquisas em 2012. Serão publicados seis editais em diferentes áreas. Os demais recursos vão para doenças negligenciadas, pesquisa clínica, avaliação de tecnologias, coortes e gestão do trabalho e educação em saúde. 

Últimas vagas para o VII Seminário Nacional Médico/Mídia

Restam poucas vagas para quem quer participar do VII Seminário Nacional Médico/Mídia, que a Federação Nacional dos Médicos (Fenam) e o Conselho Federal de Medicina (CFM) realizam nesta nesta quinta e sexta-feira (19 e 20 ), na sede do Sindicato dos Médicos de São Paulo. As inscrições são gratuitas e ainda podem ser feitas através do formulário de inscrição, ou pelo telefone (21) 9144-3323 , das 10h às 18 horas, de segunda a sexta-feira, na Coordenadoria de Comunicação, com a jornalista Denise Teixeira. 

Será a sétima edição do evento, que já se transformou em referência para profissionais e estudantes e que visa estimular o debate sobre comunicação e saúde. Este ano, o evento apresenta uma novidade: pela primeira vez, desde que teve início, o seminário não será realizado no Rio de Janeiro, mas, sim, em São Paulo, na sede do Sindicato dos Médicos do Estado (Simesp). 

Outra inovação é a parceria com o CFM para a realização do Médico/Mídia 2012, mostrando que as entidades nacionais estão unidas não só na luta do movimento médico, mas também na área de comunicação, fundamental para dar maior visibilidade e credibilidade à pauta nacional da categoria. 

O evento terá início às 9h do dia desta sexta-feira (19), com as boas vindas do presidente da Fenam, Cid Carvalhaes, e do presidente do CFM, Roberto Luiz d´Ávila, e contará com a participação de profissionais da área médica e da grande imprensa, bem como especialistas na área de tecnologia da informação e publicidade. 

O Seminário Nacional Médico/Mídia tem como objetivo colaborar com os profissionais de saúde no seu relacionamento com a mídia e também simplificar o trabalho da imprensa, ajudando os jornalistas a entenderem melhor o setor. 

Direcionado a profissionais e estudantes das áreas de jornalismo, medicina e tecnologia da informação, publicidade, gestores do setor de saúde e público em geral, o programa do evento prevê a interação permanente entre os participantes, com trocas de ideias livremente expostas.

Confira a programação do evento: 

Governo anuncia R$ 505 milhões para tratamento de câncer pelo SUS

Ministro estima economia de R$ 70 mi com produção nacional de remédios. 7 mil pessoas podem se beneficiar com produção de remédio para leucemia. 
Do G1, em Brasília 

 O Ministério da Saúde anunciou na manhã desta quarta-feira (18) o investimento de R$ 505 milhões, nos próximos cinco anos, nas redes de unidades para tratamento de câncer no Sistema Único de Saúde (SUS). 

De acordo com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o governo também vai estimular a produção nacional de medicamentos de tratamento e combate ao câncer. saiba mais.

Segundo Padilha, o ministério vai organizar a compra de equipamentos para radioterapia e a construção de salas adaptadas. 

“Vamos adquirir 80 aceleradores nucleares para radioterapia no período de cinco anos”, informou. Conforme o ministro, a medida vai aumentar o acesso à radioterapia no país, principalmente nas regiões Norte e Nordeste. 

Medicamentos

Ao falar do investimento na produção nacional de medicamentos oncológicos, o ministro informou que a medida poderá gerar uma economia de R$ 70 milhões ao governo. Segundo Padilha, o ministério firmou parcerias com sete laboratórios públicos e privados para produção de remédios contra leucemia mielóide crônica. 
 “A produção deste medicamento vai beneficiar mais de 7 mil portadores da doença. 6 mil deles são tratados no SUS”, disse Padilha. 

 Fonte: G1 http://glo.bo/J3wZsS - 18/04/2012, 13hs20

sábado, 14 de abril de 2012

Causas da Plagiocefalia

Dormir sempre de barriga para cima deforma crânios de recém-nascidos. Em Espanha, o problema trata-se com capacetes; em Portugal, com mudança de posição. 

Nos primeiros meses de vida, Dinis Filipe estava a ficar com o crânio ligeiramente deformado, pela posição em que dormia. Preocupados com o problema e sem verem melhoras, apesar dos esforços em mudarem os hábitos de dormir, os pais decidiram recorrer a um médico espanhol. Desde os seis meses que Dinis usa um capacete especial. “Agora, com nove, já está quase bom”, garante o pai, Sérgio, que gastou mais de quatro mil euros no tratamento. 

Em Espanha, a maioria das crianças com deformações cranianas, ou seja, plagiocefalias, é tratada com capacetes de plástico, feitos à medida, para retomar a forma esférica da cabeça. Em Portugal, os médicos não o aconselham e dizem haver um factor comercial por trás. 

A verdade é que há cada vez mais crianças com plagiocefalia posicional. Estima-se que em Portugal 30% tenham algum tipo de deformidade, mesmo ligeira. A justificação está na alteração dos hábitos de dormir. “Antigamente, as crianças eram deitadas de cabeça para baixo, mas hoje a recomendação é dormirem de barriga para cima para evitar a síndrome de morte súbita”, explica o pediatra Luís Pinheiro, confirmando que todos os dias lhe aparece pelo menos um caso no consultório. Esta prática diminuiu em 40% o número de mortes, mas tem provocado uma verdadeira epidemia de plagiocefalias. 

“Com poucos meses, a caixa craniana ainda não está formada e como é muito mole molda-se facilmente. A pressão da cama leva sobretudo ao achatamento da cabeça para o lado direito”, completa o pediatra Libério Ribeiro. 

Os especialistas recomendam apenas, como tratamento, que se introduza uma alteração de hábitos e de posições. O principal é colocar o berço do outro lado da cama dos pais, mudar a posição da cadeirinha onde habitualmente come ou passar a usar almofada. O uso do capacete, garantem, só em casos muito avançados. 

“Nunca tive um caso em que tivesse aconselhado o uso do capacete. Isso é pura publicidade”, acusa Luís Pinheiro. “Faz-se propaganda ao capacete dramatizando a situação”, concorda o neurocirurgião José Miguéns, sublinhando que só recomenda em casos muito raros e até à data só colocou quatro. Para os especialistas, o mais importante é a prevenção e o despiste de outros problemas como o torcicolo congénito ou problemas mais graves como as craniossinosteses, em que os ossos se unem antes do tempo e é necessária cirurgia. 

Já em Espanha, os médicos renderam-se ao capacete. “Deixar que os bebés evoluam naturalmente leva a deformidades cranianas permanentes e irreparáveis na vida adulta. A plagiocefalia não se cura com a idade e os bebés têm o direito de serem tratados adequadamente”, defende Joan Pinyot, o médico espanhol que costuma tratar bebés portugueses e que abriu recentemente uma consulta no Hospital da Ordem de São Francisco, no Porto. “Quanto mais cedo se começa o tratamento com o capacete, melhor, porque o crescimento ajuda à remodelação craniana, mas é possível tratar crianças até aos dois anos e em três meses fica novamente bem”, assegura, salientando que também recebe casos do Dubai, França, Itália, Noruega e até do Japão. 

Beatriz, de 18 meses, também consultou o médico em Madrid. “O pediatra português desvalorizou a pequena deformação e decidi levá–la ao Dr. Pinyot”, lembra a mãe, Carina Freitas. Mas o valor do tratamento, cerca de quatro mil euros e as viagens quinzenais a Madrid foram factores que levaram o casal a desistir. Neste caso, os exercícios foram suficientes. “Só noto uma pequena falha quando passo a mão pela cabeça.”

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Maioria dos ministros do STF vota por liberar aborto de feto sem cérebro

12/04/2012  15h24
De dez ministros no julgamento, sete votaram - seis a favor e um contra. Decisão só será definitiva ao final porque ministros ainda podem mudar voto.
Débora Santos, G1, Brasília.

Com o voto do ministro Ayres Britto nesta quinta (12), a maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) já se manifestou, mesmo antes do final do julgamento, favorável à permissão do aborto de feto sem cérebro.

Dos dez ministros que analisam o tema, seis votaram a favor da liberação e um contra - Dias Toffoli não participa do julgamento porque se declarou impedido, já que, quando era advogado-geral da União, se manifestou publicamente sobre o tema.

Embora com maioria, o resultado do julgamento ainda não é definitivo. Até o final da sessão, qualquer ministro pode decidir modificar o voto.

Britto - favorável à liberação - foi o primeiro ministro a votar nesta quinta, no segundo dia de julgamento da ação proposta em 2004 pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Saúde.

Na quarta (11), votaram pela liberação do aborto de anencéfalos Marco Aurélio Mello, Rosa Weber, Joaquim Barbosa, Luiz Fux e Cármen Lúcia. Ricardo Lewandowski foi contra. Também votarão os ministros Gilmar Mendes, Celso de Mello e o presidente do STF, ministro Cezar Peluso.

A ação da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Saúde pede que o Supremo permita, em caso de anencefalia, que a mulher possa escolher interromper a gravidez. Por lei, o aborto é crime em todos os casos, exceto se houver estupro ou risco de morte da mãe.

O entendimento do STF valerá para todos os casos semelhantes, e os demais órgãos do Poder Público serão obrigados a respeitá-la. A maioria dos ministros entendeu que a decisão de interromper a gravidez do feto sem cérebro é direito da mulher, que não pode ser oprimida pela possibilidade de punição.

"Não se pode tipificar esse direito de escolha [da mulher] como caracterizador do aborto, proibido pelo Código Penal", afirmou Ayres Britto ao justificar seu voto. Segundo ele, "o feto anencéfalo é uma crisálida que jamais, em tempo algum, chegará ao estágio de borboleta porque não alçará voo jamais".

Para o relator do caso, Marco Aurélio Mello, é inconstitucional a interpretação segundo a qual interromper a gravidez de feto anencéfalo é crime previsto em lei. Para ele, o termo aborto não é correto para casos de anencefalia, pois não há possibilidade de vida do feto nessas condições. “Não é escolha fácil. Todas as opções são de dor. Exatamente, fundado na dignidade da vida, neste caso, acho que esta interrupção não é criminalizável. [...]O útero é o primeiro berço do ser humano. Quando o berço se transforma em um pequeno esquife a vida se entorta”, afirmou a ministra Cármen Lúcia.

Para o ministro Luiz Fux, "impedir a interrupção da gravidez sob ameaça penal equivale à tortura." Alguns ministros ressaltaram que o Supremo não está discutindo a legalização do aborto de modo geral ou obrigando mulheres grávidas de fetos anencéfalos a interromper a gestação. A Corte discute se é crime interromper a gestação de um feto que, de acordo com a avaliação de especialistas, não tem chances de vida fora do útero.

“Faço questão de frisar que este Supremo Tribunal Federal não está decidindo permitir o aborto”, disse Cármen Lúcia. “O Supremo, evidentemente, que respeita e vai consagrar aquelas mulheres que desejarem realizar o parto ainda que o feto seja anencefálico”, afirmou Luiz Fux.

Divergência 
O ministro Ricardo Lewandowski, que abriu a divergência após cinco votos favoráveis à liberação do aborto, afirmou que o Supremo não pode interpretar a lei com a intenção de “inserir conteúdos”, sob pena de “usurpar” o poder do Legislativo, que atua na representação direta do povo.

"Uma decisão judicial isentando de sanção o aborto de fetos anencéfalos, ao arrepio da legislação existente, além de discutível do ponto de vista científico, abriria as portas para a interrupção de gestações de inúmeros embriões que sofrem ou viriam sofrer outras doenças genéticas ou adquiridas que de algum modo levariam ao encurtamento de sua vida intra ou extra-uterina", disse Lewandowski.

Hipertensão pulmonar

Hipertensão pulmonar é o aumento da pressão sanguínea nas artérias que levam sangue do pulmão para o coração. A hipertensão pulmonar é uma condição diferente da pressão alta (hipertensão arterial sistêmica). 
Sintomas de hipertensão pulmonar
O principal sintoma da hipertensão pulmonar é a falta de ar aos esforços. A dispnéia geralmente é leve ao início e vai piorando progressivamente à medida que o tempo passa. Frequentemente, a pessoa percebe que não consegue realizar a mesma atividade que antes conseguia fazer. Entre os demais sintomas da hipertensão pulmonar estão: 
  •  Dor torácica 
  • Fadiga 
  • Astenia 
  • Morte súbita 
  • Inchaço das pernas (edema) 
Causas de hipertensão pulmonar

Muitas condições distintas podem causar a hipertensão pulmonar. De maneiras diferentes, cada uma destas doenças pode levar ao aumento da pressão sanguínea nas artérias pulmonares. São elas: 
  • Insuficiência cardíaca congestiva 
  • Doença tromboembólica venosa (coágulos sanguíneos nos pulmões) 
  • Infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV) 
  • O uso de drogas ilícitas (cocaína, metanfetamina)
  • Cirrose hepática 
  • O uso de inibidores do apetite (fenfluramina, dexfenfluramina, dietilpropiona), que não são mais comercializadas nos Estados Unidos.
  • Doenças autoimunes (lúpus, esclerodermia e artrite reumatóide) Shunts cardíacos (doenças em que há um fluxo de sangue anormal entre as câmaras cardíacas) 
  • Doenças pulmonares crônicas (enfisema, bronquite crônica ou fibrose pulmonar) 
  • Apnéia obstrutiva do sono
Quando nenhuma causa é identificada após a realização de exames complementares, ela é chamada de hipertensão pulmonar idiopática. Esta condição é também chamada de hipertensão pulmonar primária.


O diagnóstico da hipertensão pulmonar
Geralmente, uma pessoa que apresenta hipertensão pulmonar ainda não diagnosticada procura o médico por causa da falta de ar. O médico, por sua vez, procura por uma causa, através das informações obtidas na história clínica do paciente e por meio de exames complementares, tais como: 
Ecocardiograma: trata-se de uma imagem das batidas do coração realizada por meio de ultrassonografia. Um exame de ecocardiografia pode estimar as pressões nas artérias pulmonares e verificar a função do ventrículo esquerdo e direito do coração. 
Tomografia computadorizada (TC): trata-se de uma radiografia detalhada do tórax, obtidas através de um aparelho chamado tomógrafo, que pode demonstrar a presença de artérias pulmonares com um tamanho aumentado. A TC também é capaz de identificar outros problemas pulmonares que podem estar causando a falta de ar. 
Cintigrafia de ventilação/perfusão (V/Q scan): este é um exame de medicina nuclear que pode auxiliar na identificação de coágulos sanguíneos nos vasos pulmonares (êmbolos pulmonares), uma das causas de hipertensão pulmonar.
Eletrocardiograma (ECG ou EKG): trata-se de um traçado da atividade elétrica do coração. Este exame pode demonstrar a presença de uma sobrecarga sobre o lado direito do coração, uma pista que pode indicar a presença de hipertensão pulmonar. 
Radiografia do tórax: uma radiografia simples do tórax não é capaz de diagnosticar uma hipertensão pulmonar, mas fornece pistas úteis. Este exame pode ajudar a identificar outras condições, cardíacas ou pulmonares, que podem estar contribuindo para a hipertensão pulmonar. 
Teste de exercício: trata-se de um exame em que a pessoa faz exercícios em um laboratório ao mesmo tempo em que sua função cardíaca, seus níveis de oxigênio e outros parâmetros são medidos para detectar as modificações que ocorrem durante um exercício físico. 
Exames de sangue: eles podem ser úteis para o diagnóstico de hipertensão pulmonar quando suspeitamos de infecções, HIV ou doenças autoimunes. Estes exames são capazes de sugerir o diagnóstico de hipertensão pulmonar, mas para se fazer o diagnóstico de certeza é preciso medir diretamente a pressão na artéria pulmonar. Isto pode ser feito através de um procedimento chamado de cateterismo cardíaco direito, que é realizado nas seguintes etapas: 
  •  Um cateter é inserido na veia jugular do pescoço e é direcionado até o coração direito
  • Um monitor de pressão preso ao cateter registra as pressões no ventrículo direito e nas artérias pulmonares. 
  • Enquanto o cateter está neste local, alguns medicamentos são injetados para verificar se as artérias pulmonares estão anormalmente enrijecidas. Este procedimento é chamado de teste de reatividade vascular. 
Apesar do baixo risco de complicações, o cateterismo do coração direito é um procedimento invasivo.

Tratamento dos pacientes com hipertensão pulmonar
A maioria dos pacientes com hipertensão pulmonar tem uma causa definida. Neste caso, o diagnóstico e o tratamento desta causa é a melhor opção terapêutica. 
Para algumas pessoas, os tratamentos avançados com o objetivo é reduzir diretamente a pressão nas artérias pulmonares pode ajudar. Às vezes, estes medicamentos podem prevenir a progressão da hipertensão pulmonar.
  • Prostaglandinas, inclusive o epoprostenol, treprostinila ou a iloprosta 
  • Antagonistas dos receptores de endotelina, como a bosentana e a ambristenana 
  • Inibidores da fosfodiesterase, como a sildenafila. 
Para as pessoas com formas graves de hipertensão pulmonar, onde a terapia farmacológica não resultou em nenhuma melhora, existem outras opções terapêuticas disponíveis:
  • Transplante de pulmão: os pulmões e as artérias pulmonares de um doador são transplantados para o pacientes com hipertensão pulmonar grave.
  • Septostomia atrial: um cirurgião cardíaco cria um orifício entre as câmaras direita e esquerda do coração. A septostomia atrial melhora a hipertensão pulmonar, mas frequentemente causa outros efeitos colaterais sérios. 
Outros tratamentos podem reduzir a hipertensão pulmonar em algumas pessoas: 

Os Exercícios físicos podem ser o melhor tratamento para os pacientes com hipertensão pulmonar. A prática regular de exercícios melhora a falta de ar e permite que a pessoa com hipertensão pulmonar se torne mais ativa. 
O oxigênio inalatório pode melhorar a falta de ar em algumas pessoas. O oxigênio também pode ajudar as pessoas a viver mais com a hipertensão pulmonar que tenha sido causada por doenças pulmonares. 
Os medicamentos que afinam o sangue (anticoagulantes) podem ser úteis para as pessoas com hipertensão pulmonar cuja causa seja a presença de coágulos sanguíneos nos pulmões. 
Os bloqueadores dos canais de cálcio (nifedipina, diltiazem ou amlodipina) podem melhorar os sintomas em uma pequena parcela de pacientes com hipertensão pulmonar. 

O que se deve esperar da hipertensão pulmonar
O prognostico da hipertensão pulmonar varia de acordo com a sua causa. Algumas condições causadoras de hipertensão pulmonar podem responder ao tratamento e melhorar com o tempo. A hipertensão pulmonar idiopática (hipertensão pulmonar primária) é uma doença progressiva. Os sintomas desta forma de hipertensão pulmonar tendem a ir piorando progressivamente com o passar do tempo. Apesar de não existir uma cura, os tratamentos podem prolongar a vida e reduzir os sintomas dos pacientes com hipertensão pulmonar primária.

Fonte: MEDCENTER  http://www.medcenter.com/Medscape/content.aspx?id=25036 - 12/04/2012, 17:06

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