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sábado, 30 de outubro de 2010

Descoberto novo mecanismo que controla a pressão arterial, segundo estudo publicado na revista Nature

Após 20 anos de pesquisas, cientistas da Universidade de Cambridge descobriram um mecanismo que participa dos estágios iniciais do processo que controla a pressão arterial. Os achados, publicados na revista Nature, têm implicações significativas para o tratamento da pré-eclâmpsia e da hipertensão arterial em geral.

A pressão arterial é controlada por hormônios chamados angiotensinas, os quais causam constrição dos vasos sanguíneos. Estes hormônios são liberados pelo angiotensinogênio (proteína que faz parte do sistema renina angiotensina aldosterona, substrato da enzima renina). Até o momento, não estava entendido como isso ocorria.

O Dr. Aiwu Zhou, fellow da British Heart Foundation (BHF) na Universidade de Cambridge, foi quem fez a descoberta e disse que, apesar do foco inicial do estudo ter sido a pré-eclâmpsia, a pesquisa abre novas possibilidades para descobertas futuras sobre as causas da hipertensão arterial em geral.

Os pesquisadores usaram um feixe de raio X extremamente intenso produzido pelo Diamond Light Source, um acelerador de partículas britânico. Desta forma, puderam explicar a estrutura do angiotensinogênio. Os resultados revelaram que a proteína se oxida e muda de forma para permitir acesso direto da enzima renina ao angiotensinogênio. A renina altera a forma final da proteína para liberar a angiotensina, a qual aumenta a pressão arterial.

Estes resultados laboratoriais foram levados a uma clínica, na Universidade de Nottingham, onde a equipe mostrou que o montante oxidado, portanto mais ativo do angiotensinogênio, estava aumentado em mulheres com pré-eclâmpsia.

O professor Robin Carrell, da Universidade de Cambridge, que liderou o projeto, explicou que durante a gravidez mudanças oxidativas podem ocorrer na placenta. Estas mudanças podem estimular a “descarga” de angiotensina e podem estar relacionadas ao aumento da pressão arterial. A liberação da angiotensina leva ao aumento da pressão sanguínea, podendo elevar-se quando a circulação na placenta reajusta as exigências de oxigênio para o feto em crescimento, com o fornecimento de oxigênio à placenta da mãe.

Os medicamentos usados para tratar a hipertensão arterial, como os inibidores da enzima conversora angiotensina (IECA), focam nos estágios finais do mecanismo de controle da pressão arterial. Os resultados deste estudo ajudam a entender os mecanismo iniciais deste processo e podem levar à descoberta de novos medicamentos para o controle da pressão alta.

Fontes:

University of Cambridge

Nature - publicação online de 6 de outubro de 2010

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Risco de pancreatite aguda é mais alto em pacientes com diabetes tipo 2, informa a revista científica Diabetes, Obesity and Metabolism

Pacientes com diabetes mellitus tipo 2 apresentaram risco três vezes maior de desenvolver pancreatite aguda em relação aos não diabéticos, de acordo com dados publicados na revista científica Diabetes, Obesity and Metabolism.

Entre 2003 e 2007 os dados de 2.984.755 pacientes incluídos no banco de dados General Practice Research Database (GPRD), do Reino Unido, foram analisados para determinar a incidência e os fatores de risco para a pancreatite aguda em pacientes com diabetes tipo 2. Comparados aos não diabéticos, o risco de pancreatite aguda em diabéticos tipo 2 foi cerca de três vezes superior, com uma incidência de 65,9/100.000 pacientes ao ano, enquanto nos não diabéticos a incidência foi de 22/100.000 pacientes ao ano.

Além disso, a taxa de pancreatite aguda aumentou ainda mais em pacientes com história prévia de obesidade, pancreatite, doenças da vesícula, consumo de álcool ou cigarro.

Fonte: Diabetes, Obesity and Metabolism - volume 12, de setembro de 2010

domingo, 29 de agosto de 2010

Diabetes mellitus: uso de metformina por pelo menos cinco anos pode reduzir risco de câncer de mama, segundo publicação do Diabetes Care

Diabetes mellitus: uso de metformina por pelo menos cinco anos pode reduzir risco de câncer de mama, segundo publicação do Diabetes Care

O uso por longo prazo de metformina1 para tratamento do diabetes mellitus tipo 2 ajuda a reduzir o risco de câncer de mama, segundo trabalho publicado no periódico Diabetes Care.

Uma análise caso-controle envolvendo 22.621 mulheres em uso oral de agentes hipoglicemiantes para o diabetes mellitus tipo 2 avaliou se o uso destes medicamentos afetavam o risco para os tumores de mama.

Os resultados mostraram que o uso de metformina por pelo menos cinco anos reduziu o risco para câncer de mama, enquanto o uso de metformina por períodos curtos ou dos outros hipoglicemiantes, como as sulfonilureias, não alteraram o risco desta patologia.

Fonte: Diabetes Care

sábado, 3 de julho de 2010

Novo Código de Ética Médica

Novo Código de Ética Médica entra em vigor a partir de 13 de abril de 2010

Após mais de 20 anos de vigência do Código anterior, entra em vigor hoje o novo Código de Ética Médica revisado, atualizado e com o objetivo de melhorar a relação médico-paciente.

A Comissão Nacional de Revisão do Código de Ética Médica e diversas entidades médicas trabalharam durante dois anos para observar atentamente os avanços tecnológicos e científicos, a autonomia e o esclarecimento do paciente, e reconhecer claramente o processo de terminalidade da vida humana.

Na formulação do novo Código foram consideradas as mudanças sociais, jurídicas e científicas, análises de códigos de ética médica de outros países e de elementos de jurisprudência e posicionamentos que já integram pareceres, decisões e resoluções da Justiça, das Comissões de Ética locais às resoluções éticas do CFM e CRMs editadas desde 1988, além de mais de 2.500 contribuições enviadas por médicos e entidades de todo o país.

O novo documento é composto por 25 princípios fundamentais do exercício da Medicina, 10 normas diceológicas, 118 normas deontológicas e quatro disposições gerais.


Destaques do Código de Ética Médica de 2010:

* No processo de tomada de decisões profissionais, “o médico aceitará as escolhas de seus pacientes relativas aos procedimentos diagnósticos e terapêuticos”.
* “Nas situações clínicas irreversíveis e terminais, o médico evitará a realização de procedimentos diagnósticos e terapêuticos desnecessários, e propiciará aos pacientes sob sua atenção todos os cuidados paliativos apropriados”.
* Está proibido criar embriões com finalidades de escolha de sexo ou eugenia. Já a terapia gênica está prevista, pois envolve a modificação genética de células somáticas como forma de tratar doenças, apresentando grandes perspectivas de desenvolvimento.
* Em anúncios profissionais, é obrigatório incluir o número de inscrição no Conselho Regional de Medicina. Os anúncios de estabelecimentos de saúde também devem constar o nome e o número de registro do diretor técnico.
* Quando docente ou autor de publicações científicas, o médico deve declarar relações com a indústria de medicamentos, órteses, próteses, equipamentos, etc, e outras que possam configurar conflitos de interesses, ainda que em potencial.
* É vedado ao médico estabelecer vínculo com empresas que anunciam ou comercializam planos de financiamento, cartões de descontos ou consórcios para procedimentos médicos.
* A introdução do conceito de responsabilidade subjetiva do médico preconiza que esta não se presume, tem que ser provada para que ele possa ser penalizado – por ação ou omissão, caracterizável como imperícia, imprudência ou negligência. É o reconhecimento de que, na área médica, não se pode garantir cura ou resultados específicos para ninguém. O Parágrafo único do Art. 1º do Capítulo III sobre Responsabilidade Profissional, diz que “a responsabilidade médica é sempre pessoal e não pode ser presumida”.
* O artigo 39 proíbe o médico “opor-se à realização de junta médica ou segunda opinião solicitada pelo paciente ou por seu representante legal”. Ao mesmo tempo, o médico não pode desrespeitar a prescrição ou o tratamento de paciente determinados por outro médico. A exceção é quando houver situação de indiscutível benefício para o paciente, devendo comunicar imediatamente o fato ao médico responsável.
* É vedado ao médico “manter vínculo de qualquer natureza com pesquisas médicas, envolvendo seres humanos, que usem placebo em seus experimentos, quando houver tratamento eficaz e efetivo para a doença pesquisada.”
* A prescrição médica e o atestado médico têm de ser legíveis e devem ter a identificação do médico.
* Faltar plantão ou abandoná-lo é falta grave. Na ausência de médico plantonista, a direção técnica do estabelecimento deve providenciar a substituição.


Fonte: Conselho Federal de Medicina

sábado, 19 de junho de 2010

NEJM: ácido valproico está associado a defeitos congênitos em grávidas que usam a medicação no primeiro trimestre da gestação

O uso de ácido valproico no primeiro trimestre da gravidez1 está associado ao aumento do risco de defeitos congênitos2 como espinha bífida, mas dados sobre outras malformações congênitas ainda são limitados, segundo artigo publicado pelo The New England Journal of Medicine.

Dados de oito estudos de coorte3 publicados foram combinados (1.565 grávidas expostas ao ácido valproico, dentre as quais foram observadas 118 malformações maiores na prole) e identificou-se 14 malformações significativamente mais comuns entre os nascidos de mães expostas ao ácido valproico durante o primeiro trimestre da gravidez1. Foram avaliadas as associações entre o uso de ácido valproico durante o primeiro trimestre e estas 14 malformações em um estudo caso controle com dados de registros populacionais de anomalias congênitas do European Surveillance of Congenital Anomalies (EUROCAT). Os registros com qualquer uma das 14 malformações foram comparados com dois grupos controle, um consistindo de bebês4 com malformações não previamente ligadas ao uso de ácido valproico (grupo controle 1) e outro com bebês4 com anormalidades cromossômicas (grupo controle 2). Os dados incluíram 98.075 nascidos vivos, natimortos ou terminados em malformações dentre 3,8 milhões de nascimentos em países europeus de 1995 a 2005.

A exposição à monoterapia com ácido valproico, quando comparada ao não uso de medicações anti-epilépticas, está associada ao aumento significativo de seis malformações das 14 estudadas. São elas: espinha bífida, defeitos do septo atrial, fenda palatina, hipospádia, polidactilia e craniosinostose.

Resultados semelhantes foram observados com o uso de outras medicações anti-epilépticas, mas os dados ainda são limitados.

Fonte: NEJM

sábado, 29 de maio de 2010

Noite mal dormida pode diminuir a sensibilidade à ação da insulina

Uma noite mal dormida pode diminuir a sensibilidade à ação da insulina no organismo, de acordo com estudo divulgado no The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism

Estudo publicado no The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism mostra que mesmo uma única noite mal dormida pode dificultar a habilidade do organismo em usar a insulina1.

Pesquisadores do Leiden University Medical Center realizaram um estudo, com pequeno número de indivíduos saudáveis, observando-os após uma noite de oito horas de sono e novamente após uma noite de quatro horas de sono. A restrição parcial do sono durante uma única noite reduziu alguns tipos de sensibilidade à ação da insulina1 em cerca de 19 a 25%. Baseado nestes achados, os autores relatam que a sensibilidade à insulina1 pode não ser pré-determinada em indivíduos saudáveis, mas ser resultado da duração do sono.

Este é o primeiro estudo a avaliar os efeitos da privação de sono, durante uma única noite, em relação à ação da insulina1 no organismo. Esta pode ser uma explicação para o aumento da resistência insulínica e o maior número de diabetes mellitus2 observado. No entanto, estudos com a participação de maior número de indivíduos são necessários.

Fonte: The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Câncer de mama: beta-bloqueadores podem reduzir metástases e melhorar a sobrevida de pacientes portadores destes tumores.

Câncer de mama: beta-bloqueadores podem reduzir metástases e melhorar a sobrevida de pacientes portadores destes tumores, segundo trabalho apresentado na European Breast Cancer Conference
Trabalho apresentado na European Breast Cancer Conference, em Barcelona, mostra que o uso de beta-bloqueadores pode reduzir a formação de metástases em tumores de mama e melhorar a sobrevida de pacientes nesta condição.

Pesquisas recentes sugerem que neurotransmissores induzem a migração de células cancerosas mediada por receptores beta-2 adrenérgicos. O tratamento com beta-bloqueadores pode proteger contra metástases melhorando os resultados clínicos no câncer1 de mama.

Estudo epidemiológico sobre tratamento com beta-bloqueador e sua associação com metástases e sobrevida do câncer1 de mama foi realizado em pacientes com tumores operáveis nas mamas (n=466). Secundariamente, os níveis proteicos de um dos receptores dos beta-bloqueadores (receptores beta-2 adrenérgicos) foram avaliados como um candidato a biomarcador dos resultados clínicos usando as técnicas de microarranjo de tecidos (n= 689 casos) e imunohistoquímica.

Noventa e dois de 466 pacientes recebendo antihipertensivos participaram do estudo. Quarenta e três destes 92 (46,7%) eram pacientes com câncer1 de mama que estavam recebendo beta-bloqueadores no momento do diagnóstico2 do tumor3.

Eles mostraram redução significativa na formação de metástases (p=0,03) e na recorrência local do tumor3 (p=0,003). Além disso, houve aumento da sobrevida e 71% de redução no risco de mortalidade4 específica para câncer1 de mama.

As conclusões são animadoras, mas novos estudos, envolvendo maior número de pacientes, são necessários para validar os resultados da presente pesquisa.

Fonte:European Breast Cancer Conference

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