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sexta-feira, 29 de março de 2013

NEJM: medidas comportamentais de perda de peso podem ajudar pessoas com doença mental grave

O sobrepeso e a obesidade são epidêmicos entre pessoas com doença mental grave, mas ensaios clínicos sobre perda de peso sistematicamente ainda excluem esta população vulnerável. As intervenções no estilo de vida necessitam de adaptação neste grupo de pacientes, porque os sintomas psiquiátricos e de comprometimento cognitivo são altamente prevalentes.

O objetivo do trabalho, publicado pelo New England Journal of Medicine (NEJM), foi determinar a eficácia de uma intervenção comportamental para perda de peso em adultos com doença mental grave.

Foram recrutados aleatoriamente para uma intervenção ou para um grupo controle adultos com sobrepeso ou obesidade de dez programas comunitários ambulatoriais psiquiátricos e de reabilitação. Os participantes do grupo de intervenção receberam sessões individuais e em grupo a respeito da gestão do peso e sessões de exercícios físicos em grupo. As mudanças no peso corporal foram avaliadas com 6, 12 e 18 meses.

Os resultados mostraram que dos 291 participantes que se submeteram à randomização, 58,1% tinha esquizofrenia ou transtorno esquizoafetivo; 22,0% tinham transtorno bipolar e 12,0% tinham depressão maior. No início do estudo, o índice de massa corporal médio (o peso em quilogramas dividido pelo quadrado da altura em metros) foi de 36,3 e o peso médio foi de 102,7 kg. Os dados sobre o peso aos 18 meses foram obtidos a partir de 279 participantes. A perda de peso no grupo da intervenção aumentou progressivamente ao longo do período de acompanhamento e diferiu significativamente do grupo controle em cada visita de avaliação. Aos 18 meses, 37,8% dos participantes do grupo de intervenção perderam 5% ou mais do seu peso inicial, em comparação com 22,7% dos que estavam no grupo controle (P = 0,009).

Concluiu-se que uma intervenção comportamental para perda de peso reduziu significativamente o peso ao longo de um período de 18 meses em adultos com sobrepeso ou obesidade e portadores de doença mental grave. Dada a epidemia de obesidade e as doenças relacionadas ao aumento do peso entre as pessoas com doença mental grave, estes achados apoiam a implementação de medidas comportamentais de perda de peso para esta população de alto risco.

Fonte: news.med.br

quarta-feira, 27 de março de 2013

Metilfenidato: dados do SNGPC mostram tendência de uso crescente desta medicação no Brasil, principalmente em crianças. Mas isto está sendo feito de forma segura?

O metilfenidato é um medicamento psicoestimulante aprovado para o tratamento do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Esta medicação promove um aumento da atenção e do controle de impulsos de crianças que apresentam TDAH e deve somente ser usada de acordo com uma prescrição médica criteriosa.

O Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é um transtorno neurológico do comportamento, comum na infância e na adolescência, afetando cerca de 8 a 12% das crianças no mundo. Estimativas de prevalência de TDAH em crianças e adolescentes, no Brasil, são bastante discordantes com valores de 0,9% a 26,8%. O diagnóstico desta condição é complicado pela ocorrência de comorbidades como dificuldades de aprendizagem, transtornos de conduta e ansiedade, e depende muito do relato dos pais e de professores, não existindo até o momento nenhum exame laboratorial confiável que possa prever este tipo de problema. As crianças com TDAH costumam apresentar dificuldade de prestar atenção, controlar comportamentos impulsivos, inquietação, fala excessiva, hiperatividade, dentre outros sintomas.

Dados registrados no Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados (SNGPC), gerenciados pela Anvisa, sobre a prescrição e o consumo de metilfenidato no Brasil, nos anos de 2009 a 2011, apontam para uma tendência de uso crescente desta medicação.

O Boletim de Farmacoepidemiologia do SNGPC, de julho a dezembro de 2012, mostra que:
  • Tem havido um aumento no consumo de metilfenidato no Brasil com destaque para redução do consumo nos meses de férias e aumento no segundo semestre dos anos estudados.
  • Entre as UF, o DF registrou o maior consumo de metilfenidato no triênio estudado.
  • Porto Alegre obteve o maior consumo de metilfenidato no triênio, entre as capitais brasileiras.
  • A partir da estimativa de gasto direto total das famílias brasileiras com a aquisição de metilfenidato, foi verificada uma concentração de mercado para o tratamento de TDAH com três apresentações farmacêuticas, todas de um mesmo laboratório, assegurando 92% das vendas de metilfenidato no país.
  • Entre as especialidades médicas prescritoras informadas, houve um predomínio daquelas relacionadas com assistência à criança e ao adolescente e que tratam de problemas do sistema nervoso central. Esse achado aponta para uma maior qualificação do uso de metilfenidato. No entanto, alguns profissionais apresentaram uma quantidade de prescrição desse produto bem acima da média e mediana que foram registradas para os 15 maiores prescritores de metilfenidato no país.

Estes dados demonstram uma tendência de uso crescente do metilfenidato no Brasil. Entretanto, a pergunta que precisa ser respondida é se esse uso está sendo feito de maneira segura, ou seja, se ele está sendo prescrito somente para as indicações aprovadas no registro do medicamento e para os pacientes corretos, na dosagem e períodos adequados. O uso desta medicação está sendo muito difundido nos últimos anos e, inclusive, de maneira equivocada, sendo utilizado como “droga da obediência” e como instrumento de melhoria do desempenho seja de crianças, adolescentes e adultos.

Fonte: news.med.br

segunda-feira, 25 de março de 2013

Atualização do algoritmo de tratamento do diabetes mellitus tipo 2: guideline da American Diabetes Association (ADA) e Associação Europeia para o Estudo do Diabetes (EASD)

Em 2012, a American Diabetes Association (ADA), juntamente com a Associação Europeia para o Estudo do Diabetes (EASD), atualizaram o seu algoritmo de tratamento do diabetes tipo 2 (originalmente lançado em 2009), que recomenda uma organização do tratamento da doença. Um algoritmo é um conjunto de passos a serem seguidos para se alcançar um fim desejado, neste caso, o objetivo é manter os níveis de glicose no sangue dentro da normalidade.

O algoritmo recomenda começar o tratamento no momento do diagnóstico com as mudanças de estilo de vida (em geral incluindo uma dieta equilibrada e atividades físicas regulares). Em seguida usa-se metformina, adicionando-se outras medicações redutoras da glicemia, conforme necessário. A eficácia de qualquer tratamento para o diabetes é medida, em parte, por um exame de sangue conhecido como hemoglobina glicosilada ou HbA1c, que indica o nível médio de glicemia ao longo dos 2 ou 3 meses anteriores. O nível de HbA1c de pessoas sem diabetes tende a situar-se entre 4% e 6% e o alvo para a maioria das pessoas diabéticas é um resultado de teste inferior a 7%.

O algoritmo atualizado recomenda que se uma pessoa recém-diagnosticada com diabetes tipo 2 não alcançar o nível de HbA1c adequado depois de três meses das mudanças no estilo de vida e do uso da metformina, o seu médico deve adicionar uma outra medicação no tratamento, que pode ser qualquer uma das sulfonilureias, tiazolidinedionas, agonistas do receptor GLP-1, inibidores de DPP-4 ou uma classe de insulina basal. Se uma combinação de dois medicamentos não permitir o alcance de um nível adequado de HbA1c em cerca de três meses, acrescenta-se outra medicação das classes listadas acima. E se a terapia de combinação que inclui a insulina basal não resultar na obtenção de um nível de HbA1c adequado, iniciam-se múltiplas doses diárias de insulina de ação curta ou rápida antes das refeições.

Outros fármacos que não estão incluídos no algoritmo, mas que podem beneficiar certos indivíduos, incluem meglitinidas, inibidores da alfa-glicosidase, colesevelam, bromocriptina e pramlintide.

Fonte: news.med.br

sexta-feira, 22 de março de 2013

Parar de fumar reduz risco cardiovascular, mesmo com o ganho de peso que ocorre após a cessação do fumo, em adultos com e sem diabetes, em artigo publicado pelo JAMA

Acredita-se que a cessação do tabagismo reduz os riscos de doenças cardiovasculares (DCV), mas o ganho de peso que segue após a parada pode enfraquecer os benefícios cardiovasculares alcançados. Com o objetivo de testar a hipótese de que o ganho de peso advindo da cessação do tabagismo não atenua os benefícios cardiovasculares, entre adultos com e sem diabetes, foi realizado um projeto publicado pelo Journal of the American Medical Association (JAMA).

O estudo prospectivo de coorte, de base comunitária, com dados do Framingham Offspring Study, coletados de 1984 a 2011, avaliou, a cada quatro anos, o auto-relato a respeito do tabagismo. Foi feita uma avaliação e classificação dos indivíduos em:
  •     Fumantes.
  •     Aqueles que deixaram de fumar recentemente (menos de quatro anos).
  •     Aqueles que deixaram de fumar há mais de quatro anos.
  •     Não fumantes.

Análises estatísticas foram realizadas para estimar a associação entre deixar de fumar e os eventos cardiovasculares em seis anos e para testar se a mudança de peso em quatro anos, seguindo a cessação do fumo, modifica a associação entre parar de fumar e os eventos cardiovasculares.

Os eventos cardiovasculares incluídos foram doença coronariana, eventos cerebrovasculares, doença arterial periférica e insuficiência cardíaca congestiva.

Após um seguimento médio de 25 anos, 631 eventos cardiovasculares ocorreram entre 3.251 participantes. O ganho de peso médio em quatro anos foi maior para aqueles que tinham deixado de fumar recentemente (menos de quatro anos) sem diabetes (2,7 kg) e diabéticos (3,6 kg) do para aqueles que deixaram de fumar a mais de quatro anos (0,9 kg e 0,0 kg para não diabéticos e diabéticos, respectivamente, P <0 br="">
Entre os participantes sem diabetes, após ajustes para idade e sexo, a taxa de incidência de doença cardiovascular foi de:
  •     5,9 por 100 pessoas examinadas em fumantes.
  •     3,2 por 100 pessoas examinadas em ex-fumantes recentes.
  •     3,1 por 100 pessoas examinadas para ex-fumantes de longo prazo
  •     2,4 por 100 pessoas examinadas em não-fumantes.

Após o ajuste para fatores de risco cardiovascular, em comparação com fumantes, os ex-fumantes recentes tiveram uma taxa de risco para DCV de 0,47 e os ex-fumantes de longo prazo tiveram uma taxa de risco para DCV de 0,46. Estas associações tinham apenas uma mudança mínima após ajustes para a mudança de peso. Entre os participantes com diabetes, havia estimativas pontuais semelhantes, que não alcançaram significância estatística.

Concluiu-se que, nesta coorte de base comunitária, parar de fumar está associado a um menor risco de eventos cardiovasculares entre os participantes sem diabetes, e que o ganho de peso que ocorreu após a cessação do tabagismo não alterou esta associação. Estes resultados apoiam o benefício cardiovascular obtido com a cessação do tabagismo, apesar do possível ganho de peso subsequente.

Fonte: news.med.br

quarta-feira, 20 de março de 2013

FDA : azitromicina pode levar a arritmias cardíacas potencialmente fatais

O Food and Drug Administration (FDA) alerta o público que a azitromicina pode causar alterações na atividade elétrica do coração, que podem levar a um ritmo cardíaco irregular potencialmente fatal. Os pacientes com maior risco de desenvolver esta condição incluem aqueles com fatores de risco conhecidos, tais como prolongamento do intervalo QT, baixos níveis sanguíneos de potássio ou magnésio, um ritmo mais lento do que a taxa normal do coração ou o uso de certos medicamentos para tratar arritmias.

O FDA emitiu uma Drug Safety Communication como resultado de uma revisão de um estudo realizado por pesquisadores médicos, bem como outro estudo feito pelo fabricante da medicação, que avaliou o potencial da azitromicina de causar alterações na atividade elétrica do coração.

O FDA já havia divulgado um comunicado em 17 de maio de 2012, sobre um estudo que comparou os riscos de morte cardiovascular em pacientes tratados com a azitromicina ou com drogas antibacterianas, tais como a amoxicilina, a ciprofloxacina, a levofloxacina ou sem o uso de fármaco antibacteriano. O estudo relatou um aumento nas mortes cardiovasculares e no risco de morte devido a qualquer causa, em pessoas tratadas com um curso de cinco dias de azitromicina, em comparação com as pessoas tratadas com a amoxicilina, ciprofloxacina ou sem fármaco. Os riscos de morte cardiovascular associados ao tratamento com a levofloxacina foram semelhantes aos associados com o tratamento com a azitromicina.

Os profissionais de saúde devem considerar o risco de torsades de pointes e ritmos cardíacos fatais com o uso da azitromicina quando se considera as opções de tratamento para pacientes que já possuem algum risco para eventos cardiovasculares. O FDA observa que o potencial risco de prolongamento do intervalo QT com a azitromicina deve ser colocado em contexto apropriado ao escolher uma medicação antibacteriana. Drogas alternativas do grupo dos macrolídeos, ou não-macrolídeos, tais como as fluoroquinolonas, também têm o potencial de prolongamento do intervalo QT ou outros significativos efeitos que devem ser considerados na escolha de um medicamento antibacteriano.

Profissionais de saúde e pacientes devem ser incentivados a relatar eventos adversos ou efeitos colaterais relacionados ao uso desses produtos para o FDA's MedWatch Safety Information and Adverse Event Reporting Program.

Fonte: news.med.br

segunda-feira, 18 de março de 2013

Enxaqueca: primeiro patch aprovado pelo FDA para tratar as crises de enxaqueca

Em janeiro de 2013, o FDA aprovou um medicamento para tratar as crises agudas de enxaqueca que é largamente utilizado, o sumatriptano, da marca Imitrex. Agora o medicamento está sendo liberado para uso através de um mecanismo novo de administração, um sistema transdérmico, sob a forma de um adesivo (patch) que pode ser enrolado em torno da parte superior do braço de um paciente ou na coxa. A administração transdérmica de um medicamento é a sua absorção através da pele. Embora os consumidores já estejam familiarizados com o uso de patch em medicamentos que ajudam a parar de fumar, este é o primeiro patch aprovado pelo FDA para o tratamento de enxaquecas.

Com o nome de Zecuity, o patch é movido a bateria e fabricado pela empresa farmacêutica NuPathe. Mede cerca de vinte centímetros de comprimento e dez centímetros de largura, envolve o braço ou a coxa e é muito parecido com uma bandagem. Ele utiliza uma corrente elétrica para deslocar a medicação através da pele ao longo de quatro horas. Uma pequena bateria e um chip de computador regulam a carga para garantir que o paciente receba a dose correta.

O sistema transdérmico fornece uma alternativa aos comprimidos, sprays nasais e injeções. Muitos pacientes que sofrem de enxaqueca sentem uma dor debilitante, às vezes tão aguda, que eles não conseguem engolir um comprimido. Outros não gostam do sabor desagradável que o spray nasal pode deixar na boca ou se sentem desconfortáveis com o fato de terem que tomar uma injeção.

Os principais efeitos colaterais do patch são: cerca de 25% dos participantes do estudo clínico com a medicação queixaram-se de uma sensação dolorosa e vermelhidão no local da aplicação do adesivo.

Segundo Eric Bastings, neurologista e diretor adjunto da Divisão de Neurologia do Food and Drug Administration (FDA), existem dois tipos básicos de medicamentos para enxaqueca: medicamentos abortivos (também chamados de medicamentos agudos), que tratam a enxaqueca depois que a crise começou e medicamentos de prevenção, que ajudam a manter a pessoa livre das crises agudas de dor.

Fonte: news.med.br

sexta-feira, 15 de março de 2013

Maior consumo de sal pode ser fator de risco ambiental para doenças autoimunes, em artigo da Nature


Houve um aumento significativo na incidência de doenças autoimunes na metade do século passado. Embora a base genética subjacente desta classe de doenças tenha sido recentemente elucidada, implicando predominantemente em genes de resposta imunológica, alterações nos fatores ambientais devem finalmente ser dirigidas a este aumento.

A população recentemente identificada de interleucina -17- produtora de células T helper CD4+ (células TH17) tem um papel central nas doenças autoimunes. Células patogênicas TH17 dependentes de IL-23 demonstraram ser críticas para o desenvolvimento da encefalomielite autoimune experimental (EAE), um modelo animal para a esclerose múltipla, e os fatores de risco genéticos associados à esclerose múltipla estão relacionados ao caminho IL-23-TH17. No entanto, pouco se sabe sobre os fatores ambientais que influenciam diretamente as células TH17.

O presente trabalho, publicado na revista Nature, mostrou que uma dieta rica em sal (cloreto de sódio ou NaCl) incrementa significativamente a indução de células TH17. As células TH17 geradas em decorrência de uma dieta rica em cloreto de sódio exibem um fenótipo altamente patogênico e estável caracterizado pela regulação positiva das citocinas pró-inflamatórias GM-CSF, TNF-α e IL-2. Além disso, ratos alimentados com este tipo de dieta desenvolveram uma forma mais grave de EAE, em acordo com o aumento da infiltração de células TH17 antígeno-específicas no sistema nervoso central e periférico. Assim, o maior consumo de sal pode representar um fator de risco ambiental para o desenvolvimento de doenças autoimunes, através da indução de células patogênicas TH17.

Fonte: news.med.br

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