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quarta-feira, 6 de julho de 2011

Interface Cérebro-Máquina

O neurocientista Miguel Nicolelis lança novo livro. Além de falar sobre a interface cérebro-máquina, questão que estuda há mais de dez anos, cientista apresenta analogia entre o comportamento dos neurônios e a vida em sociedade.



Nicolelis escreve dedicatórias em seu novo livro: o cientista apresenta o cérebro como uma sinfonia, que funciona de modo democrático e coletivo. (foto: Thiago Camelo)

No final da palestra de lançamento do novo livro do neurocientista Miguel Nicolelis no Planetário do Rio de Janeiro, na terça-feira (28/06), um senhor da plateia atravessa o mediador e – voz firme – lê um papel com uma pergunta previamente escrita:
"Você poderia dizer se existe uma consciência extracorpórea do eu, alguma coisa que explica a autoconsciência humana? Porque, se formos pensar, para provar a nossa existência teríamos que estar olhando para nós mesmos, pois o observado só existe com o olhar do observador."
Nicolelis, sem pausa para reflexão, responde com humor: "Meu Deus, o Rio de Janeiro é complicado".

Explica-se: antes da pergunta derradeira, outros questionamentos filosóficos já haviam sido feitos ao cientista, que tinha acabado de apresentar em palestra de quase duas horas as ideias do seu recém-lançado livro Muito além do nosso eu – obra que explica como, após 12 anos de pesquisa, a ambição teórica de entender a interface cérebro-máquina tornou-se experimento prático com data mais ou menos programada para ser posto à prova com humanos.

Sobre Nicolelis, muitos já sabem: tem 50 anos, é cogitado a todo momento ao Nobel de Medicina e, portanto, tido como um dos cientistas mais importantes do mundo. Sua pesquisa centra-se na tentativa de mapear as tempestades neurais que ocorrem no cérebro e geram uma sinfonia de informação capaz de, se bem registrada e codificada, mover objetos com a 'força do pensamento'. Daí vem o termo 'interface cérebro-máquina', alegoria para o que acontece quando uma espécie de chip é implantado no cérebro de um primata e, por meio de impulsos elétricos neurais, uma prótese mecânica se movimenta.

O livro

Por mais interessante que possa ser o conteúdo científico de Muito além do nosso eu (e, de fato, é), o que soa novo na obra não são as amplamente debatidas experiências de Nicolelis e o resumo que ele faz dos 12 anos de trabalho, e sim o paralelo que o cientista estabelece entre aquilo que pesquisa e 'as coisas do mundo'.

No livro, Nicolelis reafirma categoricamente a visão distribucionista, que diz que o cérebro funciona por meio de estímulos coletivos de uma vasta população de neurônios espalhada em diferentes regiões cerebrais. Desdiz, assim, a visão localizacionista, que acredita que as funções cerebrais são realizadas de modo especializado e por neurônios segregados, individualizados.

Não é novidade. Esse é ponto inicial da pesquisa do neurocientista. A abertura social e filosófica que advém dessa questão é a novidade: Nicolelis agora compara esse comportamento 'coletivo' do sistema neural com a competência humana de viver em grupo, rede e sociedade – o nós como extensão do eu.

Na palestra, ele afirma: "o cérebro não reconheceria apenas a prótese mecânica como extensão do eu, mas tudo ao nosso redor, as pessoas e os objetos, como partes de uma coisa só."

Em entrevista ao jornal O Estado de S Paulo, Miguel Nicolelis sugere uma hipótese ainda não provada cientificamente de que "os modelos colaborativos funcionam tão bem porque a mente os reconhece como naturais".
Na mesma entrevista, o neurocientista afirma que o cérebro é "uma grande democracia" e que, por isso, "as redes sociais são um sucesso".
Brainet: a internet em que todos estariam conectados por implantes de chips no cérebro e pensamento

Essas ideias novas – do "cérebro coletivo", do cérebro como "modelo colaborativo", do cérebro como "rede social" – são tão presentes no livro quanto a proposta, não tão nova assim, da interface cérebro-máquina.
A proposição abre portas para invenções aventadas mais recentemente como a brainet, a internet em que todos estariam conectados por implantes de chips no cérebro e pensamento, sem a necessidade da mediação da tela de um computador.
A proposição abre também portas para questionamentos filosóficos e existenciais mais concretos.

Thiago Camelo
Ciência Hoje On-line

2 comentários:

Diego disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Diego disse...

A pesquisa desse homem parece ser muito boa, principalmente para aquelas pessoas que necessitam "repor" a função exercida por um membro perdido, porém implantar chips no cérebro e estabelecer uma rede de comunicação através do pensamento já é algo que vai muito além do que a ciencia sabe hoje, resolucionaria o problema mente-corpo, mas até onde deixar a individualidade para expor às outras pessoas as nossas intimidades??
http://neuropostagens.blogspot.com/

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